17/01/2017 às 17:53 - Atualizado em 05/01/2018 às 17:57

Novos rumos e estratégias para o comércio em 2017

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Diante do momento turbulento enfrentado pelo mercado, levando ao fechamento de dezenas de milhares de empresas de todos tamanhos e setores da economia, produzindo consequentemente um número recorde de 12 milhões de desempregados o pacote de medidas anunciado pelo governo dá o prenuncio de um futuro alvissareiro para a economia o nosso país. Além das empresas que fecharam suas portas, muitas outras, que continuam no mercado, têm amargado prejuízos, ano após ano, e já não conseguem pagar seus tributos. Já que o pacote de ajuda do governo vai proporcionar descontos nas dívidas com a Receita Federal e o pagamento da mesma em até dois anos, será bom tanto para a iniciativa privada que ficará adimplente, poderá pleitear empréstimos e financiamentos bancários, realizar novos investimentos e dessa forma evitar o fechamento de novas empresas e mais demissão de trabalhadores. Por outro lado o Governo garantirá o recebimento de pelo menos uma parte dos impostos devidos e o aumento de sua arrecadação.

Outro ponto do pacote que vai estimular e fomentar a economia é a liberação de parte do FGTS pelos trabalhadores para o pagamento de dívidas bancárias, já que 57,3% das famílias brasileiras estão com dívidas no cheque pré-datado, cartão de crédito e cheque especial. Mesmo assim, uma das medidas mais sensíveis e necessárias, no entanto, é a da Reforma da Previdência, já que o governo estima um déficit de R$ 181,2 bilhões para 2017 e que continuará crescendo nos próximos anos. Esse déficit causa um impacto na economia já que representa 2,7% do PIB, recurso que deveria ser investido em infraestrutura e consequentemente aumento da demanda, crescimento nas vendas e fortalecimento do mercado.

Outro aspecto que merece atenção é o pacote de ajuda aos Estados, chamado de regime de recuperação fiscal, que dentre outras medidas terá que colocar suas dívidas em dia, reduzir os gastos com folha de pagamento e aumentar a contribuição previdenciária até o limite de 14%. Não bastasse, há uma perspectiva de um crescimento da economia no patamar de 1,0% diferente dos 1,6% previstos para 2017, segundo projeções do BACEN. Quando uma economia cresce menos que o previsto o governo também arrecada menos que o esperado. O governo vem realizando nas reuniões do COPOM A a redução da Taxa Selic, porém o consumidor não sentiu no bolso, ainda, os efeitos da mudança. Um dos algozes da economia têm sido os juros altos que tem elevado substancialmente os spread bancário, os bancos, esses sim, são os únicos realmente a aferirem lucros.

O IBRE da FGV também ressalta essa crise de confiança, o Índice de Confiança do Consumidor é o menor dos últimos tempos, o desemprego e a instabilidade econômica tem reduzido o consumo. De outra sorte, os empresários não têm aumentado seus estoques por verem as vendas despencarem mês a mês.

Esse cenário nos revela que 2017 também será um ano difícil, não interessa qual é o perfil de negócio e nem o segmento de atuação. O momento de instabilidade econômica do país é fator de preocupação comum aos empreendedores brasileiros. Será um ano com um baixo índice de contratação de mão obra onde se optará ainda mais pela terceirização. Além disso, o sentimento de insegurança somado às quedas nas vendas e na procura dos clientes pelos produtos e serviços ofertados gera pessimismo. E a pressão para que sejam tomadas medidas capazes de reverter a situação também pode levar muitos gestores de negócios a um colapso financeiro.

Diante disso, algumas estratégias devem ser adotadas como preparar-se para uma redução de vendas e de pedidos, principalmente empresas que comercializam produtos não essenciais que são os primeiros a sofrer retração. Reduzir a todo custo o grau de endividamento e tentar alavancar as vendas. E, para alavancar as vendas, é necessário observar no estoque da empresa os produtos que não tem giro para possam ser colocados em liquidação e dessa maneira também aumentar o faturamento. Aproveitando ainda as mudanças nas transações com cartão de crédito, concedendo os descontos nas vendas em dinheiro e estimulando as vendas no crédito já que o prazo de repasso dos recursos financeiros provenientes das vendas foi reduzido para 2 dias.

O momento não é para a tomada de crédito, os juros altos e a exigência exacerbada por garantias reais são danosas aos empresários. É prudente aguardar a criação de uma Medida Provisória que criará um ambiente centralizado com registro de duplicatas mercantis já utilizadas em outras operações, isso aumentará a segurança de credores, e com isso estimulará a oferta de crédito para micro e pequenas empresas com taxas de juros mais baixas, segundo a apresentação.

Vale lembrar que o setor da Indústria é o mais afetado pela recessão econômica enfrentada, podendo aumentar ainda mais o número de demissões. Já o setor do comércio, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio divulgada pelo IBGE apresentou, em relação ao mês de novembro de 2015 no volume de vendas, uma variação negativa -4,0% um pouco acima da média nacional -3,5%. Porém quando analisada a taxa de variação do volume de vendas do varejo mês a mês com relação ao ano anterior apresentou um crescimento de 1,8% contra 2,0% da média nacional.

Dessa forma, podemos esperar dias melhores havendo, é claro, a intervenção e a implementação do pacote de medidas para o estimulo do crescimento da produtividade, fortalecimento da economia e desburocratização que dependem de aprovação legislativa.

Bandeiras:

*  Engendrar esforços no sentido de minimizar o impacto dos tributos estaduais, notadamente, ICMS antecipado;

*  Debater com as autoridades locais a extensão da área de livre comércio de Brasiléia para Rio Branco.

Por Leandro Domingos - Presidente da Fecomércio/AC