19/02/2018 às 09:50

Assessor da Fecomércio/AC tira dúvidas quanto à taxa Selic

Assessor explica maiores dúvidas sobre a Selic
Ascom/Fecomércio Assessor explica maiores dúvidas sobre a Selic

Com o objetivo de tirar dúvidas dos empresários e da sociedade civil em geral, o assessor da presidência para assuntos econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio/AC), Alex Barros, esclareceu, na manhã desta quinta-feira, 15, dúvidas acerca da taxa Selic, considerada a taxa básica de juros do Brasil.

A Selic – abreviação de Sistema Especial de Liquidação e Custódia – é, na prática, a taxa utilizada pelo governo federal para balizar a compra e venda de títulos de curto prazo. Isso significaria, segundo Barros, que, quando o governo brasileiro precisa de dinheiro, recorre aos banhos e paga a eles juros definidos pela taxa Selic para empréstimos de curto prazo.

“Da mesma forma, o Estado disponibiliza dinheiro com taxas próximas a essa aos bancos quando estes precisam fechar seus caixas no curto prazo (um ou dois dias). Sendo assim, a Selic é uma taxa praticada para empréstimos de menor risco, já que o governo é considerado um bom pagador”, explicou Barros.

O assessor aproveitou para explicar como é formada a taxa de juros ao consumidor, aquela que vemos na prática. Barros relembrou que, entre julho de 2015 e outubro de 2016, a Selic se manteve em 14,25% ao ano (a.a), quando iniciou uma trajetória de queda até atingir 6,75% a.a. em fevereiro de 2018. “Há a expectativa que ela ainda pode baixar ao longo do ano. No entanto, se você não é um banco, tampouco o governo, nunca passou perto de um crediário com taxas de juros de 14% ou 7% ao ano. Os juros para pessoas físicas começam, em geral, em 20% ao ano para aquisição de veículos, 40% ou 50% a.a. na compra de bens em lojas de departamento e 100% a.a. no crédito pessoal de curto prazo nos bancos. Quando se trata de juros para o cartão de crédito ou cheque especial, os valores podem atingir até 400% ao ano”, ressaltou.

“Apesar de serem quase imperceptíveis, as taxas de juros para o consumidor caíram”

Ao ser questionado em relação ao porquê de as taxas de juros não terem caído entre 2015 e 2018, Barros respondeu que, para o consumidor, também houve uma queda. “Apesar de serem quase imperceptíveis, as taxas de juros para o consumidor também caíram, embora ainda sejam altas. Porém, elas [as taxas] não caem mais porque o governo toma, com prioridade, quase todos os recursos que os bancos disponibilizam. Esse dinheiro não é propriamente dos bancos, mas, sim, dos correntistas que poupam, que deixam seus recursos em instituições financeiras; e estas, por sua vez, emprestam ao governo”, explicou.

Além disso, ainda segundo o assessor, vez que o governo toma emprestado boa parte do dinheiro disponível, o que sobraria seria disputado entre os consumidores. “Também estão embutidos no valor dos juros custos como administração da estrutura bancária, o risco de não pagamento (inadimplência), os impostos e, claro, o lucro dos bancos. Esse lucro aumenta conforme cresce a disputa de muitos querendo dinheiro emprestado e poucos recursos para emprestar. É a lei da oferta e da demanda: quando há pouco produto e muita gente querendo, o preço sobe. O juro, portanto, é o “preço” do dinheiro”, reiterou.

“Devemos comemorar a queda da Selic”

Barros informou, no entanto, que, embora baixa, a queda da Selic afeta nas taxas de juros ao consumidor, além de melhorar o ambiente de consumo e produção. “Devemos comemorar a queda da Selic e, além disso, quando o governo consegue reduzir os juros mantendo a inflação controlada, o gasto do setor público com juros cai. Isso é importante, pois a dívida pública é alta: 80% do PIB [Produto Interno Bruto] ou R$ 5 trilhões. Cada ponto porcentual de juros significa R$ 50 bilhões ao ano em pagamento de juros”, afirmou.

Ainda de acordo com o assessor, caso a estrutura de juros dos títulos públicos, que é vinculada à Selic, cair, caem também os gastos do governo. “O que permite ao setor público reduzir sua demanda por dinheiro, seja emprestando dos bancos ou cobrando tributos”.

Quanto à pergunta mais importante, que seria quando os juros ao consumidor serão baixos no Brasil, Barros é enfático: somente quando a dívida pública cair e o governo gerar superávits fiscais relevantes. “Atualmente, o setor público é muito deficitário. Com isso, o Estado brasileiro continua a precisar de muito dinheiro emprestado e espanta os outros clientes que desejam crédito, elevando toda a estrutura de juros”, finalizou.