04/05/2018 às 12:30

Recuo no endividamento não reflete melhora econômica

Alto índice de desemprego diminui a inadimplência, mas inibe o consumo.
Governo do Brasil Alto índice de desemprego diminui a inadimplência, mas inibe o consumo.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada na última quinta-feira, 3, o percentual de famílias com dívidas alcançou marca, em abril, de 60,2%, uma queda em relação aos 61,2%vistos no mês anterior. Para o assessor da presidência para assuntos econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio), Alex Barros, no entanto, este índice não refletiria, necessariamente, uma melhora na economia.

A Peic registrou, também, uma redução em relação a abril de 2017, quando o indicador verificou 62,1% do total de famílias. Além disso, o estudo destacou que a proporção das famílias com dívidas ou contas em atraso diminuiu em abril, mostrando 25% das famílias ante aos 25,2% verificados em março. Na comparação com abril de 2017, houve queda de 0,4%.

Barros alertou, porém, que a principal caso para os recuos seriam a perca do poder de compra das famílias. “Segundo a pesquisa, 49% dos entrevistados estão com até 50% da sua renda comprometida; e 10,3%, não têm condições de pagar suas contas. Infelizmente, o desemprego tem, novamente, desaquecido a economia”, esclareceu.

Prova do argumento de Barros seria o aumento de proporção de famílias que se declararam muito endividadas, com aumento verificado pela Peic em relação a março, passando de 14,1% a 14,2%. Na comparação anual, porém, houve queda de 0,7%.

O assessor reiterou que o alto índice de desemprego, além de aumentar a inadimplência, inibe o consumo. “O que afeta diretamente o setor do comércio”, finalizou.

A Peic Nacional é apurada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010; dados são coletados em todas as capitais dos Estados e Distrito Federal, junto a 18 mil consumidores.